quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Origem do Chafariz de São Marcos

No séc. XVI, no reinado de D. Manuel I, foram edificados vários chafarizes, entre eles está o de São Marcos, construído entre o Convento de São Marcos e o Convento de Santo António. Este tinha como propósito abastecer convenientemente os conventos referidos e as habitações do arrabalde que nesta altura começava a despontar. O seu abastecimento é assegurado por uma nascente de água originária na serra da Cardosa. Este chafariz foi, até princípios do séc. XIX, foi um dos principais pontos de fornecimento de água para a população da cidade. A sua construção é modesta, composta por um tanque rectangular onde desagua a água, estando a sua bica está incrustada numa parede com duas pilastras. Ao meio do painel formado por estas, estão as armas do rei D. Manuel I.

Chafariz de São Marcos


Fonte:
  • Canoso, António, História do Abastecimento de Água Ao Concelho de Castelo Branco, 1ºedição, 1997.
  • SANTOS, Manuel Tavares dos; Castelo Branco na História e na Arte, Castelo Branco, 1958.

    quarta-feira, 4 de maio de 2011

    Génese e Expansão do Núcleo de Povoamento

    A ocupação humana deste espaço iniciou-se em tempos remotos, sendo possível encontrar vestígios pré-históricos antropogénicos. Em 218 a.C. iniciou-se o domínio romano da península Ibérica, o qual resultou numa profunda alteração do povoamento. Das cumeadas e dos pontos salientes da paisagem, os romanos procuraram fixar as populações locais nas áreas mais baixas e, consequentemente, mais propícias à prática da agricultura. Após a ocupação visigótica da península, iniciada em 624, este território foi ocupado pelos mouros entre 711 e o primeiro quartel do século XIII.
    Foi com o movimento de Reconquista do espaço onde a cidade se insere e o seu domínio pelos templários que o núcleo de povoamento começou a ganhar importância demográfica. Devido às características climáticas da região, a falta de água foi sempre um problema e com o aumento populacional este foi-se agravando.
    Será possível considerar, que a existência de nascentes de água terá mesmo condicionado a expansão demográfica e espacial do núcleo de povoamento.



    Fontes:
    • As guerras púnicas entre Cartagineses e Romanos A Invasão Romana da Península Ibérica (Consultado a 16 de Março de 2011 às 9:50 horas). Disponível no URL: <http://www2.eb23tadim.rcts.pt/docs/roma/index.htm>
    •  DIAS, Jaime Lopes; O Problema do Abastecimento de Água à Cidade de Castelo Branco, Lisboa 1932.
    • DUARTE, Rui; A Memória do Passado no Actual Espaço Urbano – A Cidade de Castelo Branco sob uma Perspectiva Geográfica, Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 1996
    • Reino Visigodo. In Infopédia Porto: Porto Editora, 2003-2011. (Consultado a 16 de Março de 2011 às 9:55 horas). Disponível no URL: <http://www.infopedia.pt/$reino-visigodo>.
    •  SCHILLING, Voltaire. Guerras: Ocidente X Oriente – parte 1. (Consultado a 22 de Março de 2011 às 11:12 horas). Disponível no URL: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/2003/03/20/000.htm>  

    Clima de Castelo Branco

    A região da Beira Baixa tem um clima temperado mediterrâneo, sendo ainda influenciado pela continentalidade.
    Gráfico Termopluviométrico de Castelo Branco (Período 1961-1986)
    Como se constata pelo gráfico termopluviométrico de Castelo Branco, no Inverno a cidade atinge baixas temperaturas, em que o mês mais frio é Janeiro com uma média de temperatura de 8,3ºC. É também nesta estação que ocorrem os maiores valores de precipitação. Por outro lado, no Verão a precipitação é escassa e as temperaturas elevadas, tendo o mês mais quente, Agosto, uma média de 24,3ºC, sendo que a amplitude térmica da região encontra-se nos 27,2ºC. É ainda de ter em conta a ocorrência episódica chuva forte. Como Castelo Branco tem escassos dias de chuva sendo o estio muito severo, poderemos adiantar que esta é uma área que climaticamente se insere nos climas mais secos característicos do sul do território continental. Para além disso, a cidade tem numerosas horas de sol e raros dias de nevoeiro. Estas características climáticas devem-se não só ao facto da cidade situar-se na parte anterior da Cordilheira Central, fazendo com que o vento seja principalmente seco, mas também devido à considerável distância a que esta região se encontra do mar.


    Fontes:
    • DUARTE, Rui; A Memória do Passado no Actual Espaço Urbano – A Cidade de Castelo Branco sob uma Perspectiva Geográfica, Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 1996.
    • Principais Tipos de Clima. [Consultado no dia 23 de Março de 2011, às 8:58]. Disponível no URL

    Enquadramento Geológico

    Na área de Castelo Branco existe uma extensa superfície aplanada que é separada em dois degraus por uma enorme escarpa de falha do Ponsul. A componente superior desta superfície é designada “Superfície de Castelo Branco”, sendo essencialmente constituída por “xistos muito dissecados e granitos bem conservados”. Os xistos, que são maioritariamente argilosos, são pouco permeáveis, apresentam uma densa e sinuosa rede hidrográfica, a qual, devido à “escorrência difusa e escoamento torrencial”, origina uma paisagem de vales e cumes arredondados. Na zona de contacto com o granito, os xistos encontram-se metamorfoseados, sendo aí siliciosos, mosqueados e com fácies de corneanas. O granito apresenta um grande número de diáclases sendo, assim, mais permeável que o xisto. Consequentemente, a rede hidrográfica que o atravessa é menos densa. A área granítica tende a evoluir para uma paisagem com uma “topografia de maturidade, de vales de fundos largos e de vertentes quase imperceptíveis”.
    Ao longo da “Superfície de Castelo Branco”, bem como no degrau tectónico que lhe fica imediatamente inferior, existem extensas faixas quartzíticas que, em consequência da sua maior resistência à erosão, se destacam na paisagem regional. Foi numa delas, a “Faixa Ordovícica de Castelo Branco” que se implantou o castelo e o espaço construído que deu origem à urbe. 


    Fonte:
    • DUARTE, Rui; A Memória do Passado no Actual Espaço Urbano – A Cidade de Castelo Branco sob uma Perspectiva Geográfica, Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 1996. 
    • LAUTENSACH, Hermnn; A Posição Geográfica e o Território, in: Geografia de Portugal – I Volume, conjuntamente com Orlando Ribeiro e Suzanne Daveaux, Edições João Sá da Costa, Lisboa, 1997. 
    • RIBEIRO, Orlando; Sur la Morphologie de la Basse Beira, in: Opúsculos Geográficos, III Volume, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1990.

    quarta-feira, 27 de abril de 2011

    Enquadramento Geográfico

    Castelo Branco é capital do distrito com o mesmo nome. Encontra-se a uma latitude de 39º 49’ 18’’ Norte, a uma longitude de 7º 29’ Oeste e a uma altitude de 489 metros no seu ponto mais alcantilado (castelo).
    O distrito de Castelo Branco limita a Norte com os distritos de Coimbra e Guarda, a Oeste com o de Leiria, a Sudoeste com o de Santarém e a Sul com o distrito de Portalegre. A Este, o distrito de Castelo Branco faz fronteira com Espanha.

    Localização do distrito de Castelo Branco

    Fontes:
    • Contacts and Location – Rádio Clube de Monsanto. [Consultado no dia 15 de Março de 2011, às 17:17]. Disponível no URL: http://www.radiomonsanto.pt/images/mapa_portugal.jpg
    • DUARTE, Rui; A Memória do Passado no Actual Espaço Urbano – A Cidade de Castelo Branco sob uma Perspectiva Geográfica, Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 1996.

    Introdução

    Desde sempre, Castelo Branco, atendendo às características climáticas que se traduzem num estio muito rigoroso, sofreu pela falta de água. Inicialmente, a resolução do problema baseou-se na criação de chafarizes e na captação de água através de poços e fontes. No entanto, com o aumento da população, a falta de água para consumo humano tendeu a agravar-se e, somente na segunda metade do século passado, com a construção várias barragens se solucionou o problema. Assim, numa componente de análise da literatura, tentámos acompanhar o crescimento demográfico e espacial e o processo de adequação dessa expansão às exigências de acesso a água com as características e qualidades necessárias a ser utilizadas pelas populações.
    Tendo esta investigação surgido no âmbito da disciplina de Área de Projecto e contando a escola com o Laboratório ENEAS de Análise de Águas, procurámos avaliar as características físico-químicas e bacteriológicas da água de três chafarizes que, aquando do seu surgimento, foram importantes para o abastecimento da população do núcleo urbano: chafariz de São Marcos, chafariz da Granja e chafariz da Mina.
    Para recolher a água analisada utilizámos frascos esterilizados e seguimos o protocolo assumido pelo laboratório. Os parâmetros físico-químicos que analisámos foram a concentração de manganês, alumínio, cloretos, nitratos, nitritos, ferro, sulfatos. Também examinámos a dureza total da água e o seu pH. Quanto aos parâmetros microbiológicos demos atenção à presença de colónias de coliformes fecais, coliformes totais, Escherichia coli e Estreptococos fecais.